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As bolsas e o triunfo dos idiotas

Texto de João Camargo • 24/08/2015 - 17:09

Segunda-feira negra, com a Bolsa de Xangai a cair 8,5%. Mais uma “inesperada” bolha a rebentar nos mercados financeiros. E não é que vêm por aí abaixo: a bolsa de Lisboa a cair 4%, a bolsa de Atenas 4,3%, a de Frankfurt 3,2%, a de Tóquio 5%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones caiu 3,1% e o Nasdaq 3,5% e o ASX 3,7% na Austrália ? Os idiotas continuam a triunfar, dia após dia. Em 2008 a banca e a finança, libertadas de quaisquer constrangimentos por Reagan e Thatcher e os seus sucessores, produziu a maior crise financeira desde 1929, atirando o mundo para uma depressão global, ainda longe de ter acabado.

Apesar disso, os idiotas que lançaram o mundo para o abismo receberam ainda mais liberdade, com mais desregulamentação. Há que agradecer a Merkel, a Draghi, a Obama, a David Cameron, a Sarkozy e a Hollande, a Xi Jinping e Hu Jintao por mais uma vitória retumbante da idiotice como paradigma mundial. E uma vez mais os idiotas atiram-nos para o desconhecido.

Não chega estarem a arruinar o planeta, tornando-o crescentemente inviável para as gerações futuras, com as alterações climáticas. Não chega fomentarem milhentas guerras, patrocinarem o terrorismo dizendo que estão a combater o terrorismo. Não chega empurrarem os mais pobres para longe depois de terem promovido guerras, secas, saques e ditaduras nos seus países de origem e depois acusarem quem os transporta de ter a culpa. Não chega erguerem muros e arames farpados para fechar a miséria que provocam. Não chega destruírem gerações inteiras com pensões de miséria, desemprego e precariedade. Não chega.

A culpa é das vítimas?

Ainda nos dizem, os idiotas e os seus campeões, que a culpa é das vítimas da sua idiotice. Uma das principais ferramentas ao serviço dos estúpidos é a dívida. Dos 59.700.000.000.000 dólares de dívida mundial, 59,7 biliões de dólares, o primeiro devedor são os Estados Unidos, responsável por 29,05% do total, seguidos do Japão com 19,9%, a China com 6,25%, a Alemanha com 4,81%, a Itália com 4,61%, o Reino Unido com 3,92%, o Canadá com 2,7%. Longe, só muito longe é que vêm as vítimas da dívida, cuja crucificação nada tem que ver com a mesma: Portugal com 0,49% da dívida mundial, a Grécia com 0,71%, a Bélgica com 0,92%, a Turquia com 0,5% ou a Espanha com 2,15%.

Recuando mais, olhamos para as grandes vítimas históricas dos ajustamentos estruturais e as suas dívidas não valem nada: a América Latina, a África subsahariana, a Ásia. Os idiotas conseguem, nos momentos de maior fragilidade, transformar os países frágeis em estados falhados, os países mais pobres em colónias. Parabéns. É a competitividade idiota.

Uma vez mais, na roleta russa do capitalismo estúpido, calhou bala. O problema é que o tiro sai, como sempre, na direcção daqueles que nada têm que ver com o jogo, aqueles que não quiseram e muitas vezes nem sabiam que estavam a jogar. Como é que os idiotas nos dirão que se volta a melhorar a situação? Da maneira de sempre: despedimentos, privatizações, precarização, cortes de salários e perda de direitos, de igualdade e de democracia.

E depois estranharão como não há ferramentas para combater as crises, quando o regime em que vivemos tem como características fundamentais a crise permanente e a estupidez hegemónica. Enquanto os idiotas mandarem, seremos estupidificados pela sua maneira infantil de ver o mundo e continuaremos a marchar para o precipício.

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