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Participação para quê?

Se a apatia política dos indivíduos traduz o desinteresse pela política, atribuindo-a exclusivamente aos políticos profissionais, a participação pode ser compreendida como oposto, revelando não somente o interesse difuso e genérico, mas além disso, enseja a tentativa de ação concreta. A participação pressupõe intervenção direta dos indivíduos na política, na busca de exercer poder sobre as decisões políticas em âmbito local, regional e nacional. Envolvendo questões que ultrapassem a satisfação das necessidades imediatas. Após essa sistematização do meu pensamento me foi colocada uma questão, de que forma a participação, ou melhor por quem e em que medida se faz legitima na transformação social? Por alguns minutos gaguejei, e por várias horas pensei, pensei e pensei, acho que ainda vou pensar por vários meses quiçá anos. O que torna pertinente perquirir sobre a forma, a classe e os rumos da participação é seu caráter concreto, ou seja, a participação não se faz de cima para baixo, de outra forma ela não se faz da instituição para os indivíduos. Se acaso for, essa perde o sentido por se prestar apenas a uma mera formalidade. A participação que se faz de baixo para cima é entendida é a meu ver a forma unívoca de articulação e mobilização das classes trabalhadoras em contraposição a burguesia, isto é, a participação enquanto conceito é o produto das ações coletivas das classes trabalhadoras mobilizadas que enseja a possibilidade da transformação social. Poderia dizer que a participação enquanto conceito pode ser interpretada por diferentes formas, mas quanto a essência da participação somente as classes trabalhadoras poderiam captar.

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